O Brasil, a Crise de 2015 e o Empresariado: anatomia de uma frigidez.

I CABEÇA

capitalismo

A crise brasileira é artificial. Produzida como uma forma de medir forças político-econômicas. Qual a origem da crise? Parte dela pode ser atribuída a “greve dos investidores”, pois há um setor do empresariado brasileiro que não se acha dono do Brasil. Ele tem certeza que é dono do Brasil e não aceita autoridade que não seja financiada para defender interesses particulares. Existe uma razão para tal: foi o patrimônio público brasileiro que enriqueceu algumas famílias que tem – em certa medida – controlado o Estado.

Essa parte do empresariado brasileiro não tem seguido princípios éticos – é fiel apenas a rentabilidade. Os bancos brasileiros, por exemplo, estão entre os que mais lucram no mundo e não ganham apenas com juros altos – mas também com tarifas exorbitantes. Há serviços bancários que chegam a cobrar mais do que permite a legislação anti-agiotagem.

A regulamentação atual desestimulou o setor do empresariado brasileiro que é adepto do capitalismo desregulamentado. Esses adeptos seguem a cartilha de investir sem compromisso social – a finalidade última é a maximização dos lucros mesmo que isso signifique desestabilizar politicamente o Brasil.

O mais trágico é que mesmo desprezando o país, o setor do empresariado que tenta sabotar o Brasil depende do BNDES do antigo Governo Trabalhista de Getúlio Vargas. Em outras palavras: para eles o Estado é mera parte dos negócios e a população é excluída no processo. Porém, a Constituição de 1988 não preconiza o assalto ao Estado brasileiro por um setor da sociedade em detrimento de outros, mas garante a toda população direitos iguais.

E mesmo precisando e requerendo dinheiro do BNDES parte do setor empresarial promove propagandas de fuga de capitais do país através de empresas especializadas em desestabilizar a economia. Esse injustificável o ataque ao país – essa guerra político-econômica e a sabotagem não encontrarão eco nos empresários comprometidos com os interesses nacionais. O empreendedor de boa fé sabe que em tempos de crise os mais ricos terão que se conformar com menores lucros.

É por isso que encontramos somente no discurso dos entreguistas verdadeiros absurdos como: o Brasil adota uma “Política Marxista”. O recente plano de R$ 200 bilhões para agradar o empresariado tendo em vista o fim da “greve de investimentos” é a prova máxima de que não há no Brasil nenhum tipo de “Política Marxista”. Apesar disso há empresas que pretendem desviar investimentos do Brasil disseminando calúnias de todo tipo, por exemplo – o Brasil adota uma “Política Marxista”: http://www.usfunds.com/investor-library/frank-talk/the-10-most-competitive-countries-in-the-world/#.VjmU47erTIU

II TRONCO

Crise

É bem verdade que está mais difícil obter lucros do que antes no Brasil, mas isso vale para muitíssimos lugares do mundo – e isso só piora o humor de setores do empresariado.

Os empresários podem odiar um representante do povo, mas o voto popular não pode ser desprezado no regime democrático. É perigoso para democracia que um setor do empresariado seja representado por liberais que não respeitam a livre opção ideológica – aderindo a um tipo de “anti-comunismo fake do século XXI”.

Liberais anti-democráticos nada mais são dos que fascistas em pele de democratas.

Para além das ideologias, isso significa que o capitalismo no país tem sido historicamente desregulado prejudicando a todos os envolvidos e há um setor do empresariado que não aceita essa regulamentação.

Esse discurso de “anti-comunismo fake do século XXI” é na verdade uma resistência contra qualquer tentativa de aprofundar a democratização (da renda, da cultura, da saúde, etc).

III MEMBROS

lol

Não é mentira que os impostos no Brasil são desanimadores para os empreendedores e a burocracia também. Antes fossem essas as reivindicações do empresariado. Mas infelizmente não é a reforma administrativa e tributária que tem movido a mídia de massa financiada pelo setor recalcado do empresariado. O que o move é apenas a negação da autoridade constituída e tentativa de deslegitimar a vontade popular soberana da nação brasileira.

Há muitas oportunidades na crise, mas parece que esse setor está acostumado com esquemas previamente estabelecidos e fará de tudo para defender suas “máfias particulares”. Se o setor do empresariado brasileiro que rejeita a soberania popular fosse mais inteligente apostaria, por exemplo, na possibilidade da China investir em infraestrutura no Brasil. Isso seria um bom negócio para todos.

Outra motivação que poderia aquecer a frígida relação entre o Brasil e seu empresariado é o empenho para conquistar a confiança dos investidores. As investigações sobre corrupção, por exemplo, estão entre as ações para recuperar a confiança dos investidores. O empresário Omar Peres afirma: “A corrupção em nosso país existe em todos os setores. Petrobrás é somente uma das fontes ricas. […] Fato é que a Petrobras, como todos os demais órgãos do estado, sempre foi um balcão de negócios para pessoas que se agrupam politicamente para roubar. Os ladrões, os agentes, as empresas [setor do empresariado ], todos, são os mesmos, desde sempre[…]

O Brasil nunca tinha antes investigado corrupção na referida estatal.

As concessões e os R$ 200 bilhões para os empresários parecem não ter sido suficientes para esquentar a relação do país com o empresariado: a relação continua frígida. O Brasil já cedeu e espera que o setor do empresariado volte a investir para iniciar uma retomada na movimentação na economia em estagnação.

A população não deve ficar a margem dessa relação frígida, isto é, entre o Estado e o empresariado. As pessoas devem tomar partido de seus interesses – se organizando de maneira independente para não arcar com o débito de uma crise artificializada.

E ainda – é preciso preparo para enfrentar a repressão – pois o mesmo grupo político que se diz liberal é na realidade fascista, porque resiste contra qualquer tentativa de avançar na democratização (de renda, de cultura, de saúde, etc).

policia

Fonte Consultada: Net Marinha

Greve de investidores no Brasil e ajuste fiscal

Paul Singer: […] O ajuste fiscal só tem razão de ser para os banqueiros. Hoje, no Brasil, é um bom investimento você comprar o chamado tesouro direto. Você compra valores da dívida pública e ganha um certo juro, que é o juro da Selic. Para isso não é preciso fazer ajuste nenhum. Essa dívida pública pela qual já se paga é grande. Do jeito que as coisas estão, com a economia produzindo cada vez menos, não vai terminar de pagar nunca e não é para pagar mesmo.

Pelas manifestações da presidenta Dilma, eu deduzo que ela está querendo ver se faz a economia brasileira crescer. Sendo o Brasil um país capitalista, para que ele possa crescer é preciso que a burguesia faça investimentos. Se a burguesia não gosta do governo – e no caso brasileiro tem todos os motivos para não gostar -, ela não investe. Há uma expressão para isso, que não fui eu que inventei e já foi usada várias vezes: greve de investidores. É uma greve suicida. Imagine um fabricante ou um dono de uma cadeia de lojas que ganhou dinheiro, teve lucro e decidiu deixar esse dinheiro no banco, sem investir para ampliar sua atividade. Daqui a pouco entra alguém no mercado e tira a sua freguesia. A greve de investidores não pode demorar muito, pois acaba atingindo os próprios capitalistas.

Está ocorrendo hoje uma greve de investidores no Brasil?

Sim. Está ocorrendo desde que a Dilma assumiu o segundo mandato. Aliás, no primeiro mandato dela já não houve investimentos e o crescimento ficou na casa do 1% ao ano.

Fonte: “Ajuste fiscal, desastre para o país”

Brasil y el terrorismo de estado

Talis Andrade

por Juan Luis Berterretche
Rebelión

Shahrokh Heidari Shahrokh Heidari

El triunfalismo “democrático” frívolo posterior al desplazamiento de la dictadura y la inconclusa constitución del 88 encubrió en la conciencia política brasileña, hasta ahora, las lacras heredadas del autoritarismo militar y aún otras que venían del dominio imperial y burgués, que el estado brasileño continua arrastrando en perjuicio de la sociedad y sobre todo en menoscabo de los que tienen mayor debilidad para defender sus derechos.
Así continuaron vigentes,

1- un racismo estructural e institucional demostrado con holgura por estadísticas estatales en todo el país, y denunciado por la ONU, oculto bajo la falsa ideología de Brasil paraíso de la democracia racial, una fantasía que dominó el siglo XX;

2- tortura sistemática habitual en las penitenciarías del Estado y locales policiales, a la vez de prisión preventiva punitiva, sobrepoblación carcelaria mal alimentada, sin atención médica y en un clima de violencia permanente, condiciones…

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O que é matéria? ou O mistério do vazio que nos cerca

Dando a cara a tapa

De maneira intuitiva, todo ser humano tem seus primeiros contatos com o mundo através dos sentidos. Desde o útero materno até a velhice, passamos todo o tempo em interação constante com aquilo que nos cerca. Sentimos, pegamos, vemos, ouvimos e experimentamos um sem número de sensações a partir do contato com outras pessoas ou objetos. A tudo isso que está ao nosso redor damos o sintético nome de “matéria”.

Mas o que é matéria?

Do ponto de vista vernacular, o problema é zero. Matéria é qualquer coisa corpórea, ou, mais sinteticamente, algo do qual outra coisa é feita. Do ponto de vista físico, no entanto, o problema fica mais complexo.

De maneira geral, aceita-se a idéia de que “matéria” é tudo aquilo que ocupa espaço e possui massa em estado de repouso. Desde que os gregos criaram o conceito de “átomo”, a ciência trabalha com a noção de partículas elementares…

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Erros (e acertos) de Marx

O futuro é imprevisível e possui múltiplos sentidos.

Essa perspectiva parece óbvia para nós hoje,  mas Marx e Engels lançaram o Manifesto Comunista acreditando que toda a história da humanidade tinha sentido único.

E ainda –  Marx e Engels achavam que tinham descoberto esse único sentido que acreditavam ser passível de previsão.

Se para nós o futuro é imprevisível e possui múltiplos sentidos é porque já entendemos o mundo a partir do paradigma dos relativismos.

A teoria da relatividade de Albert Einstein demonstrou com clareza como o tempo [e por conseguinte a história] não é universal, mas sim  relativo ao ponto de vista do observador. Isso significou não só a mudança de perspectiva de como o homem observa  os fenômenos físicos, mas também influenciou o entendimento dos fenômenos da experiência humana estudados nos rol dos relativismos que impactaram a percepção do campo social:  relativismo linguístico, relativismo cognitivo,  relativismo psicológico e  relativismo cultural.

[Sobre o “Relatividade e relativismo: Einstein e a teoria social” indicamos o artigo disponível no link https://mwba.files.wordpress.com/2010/03/2009-almeida-relatividade-e-relativismo-einstein-e-a-teoria-social-tempo-brasileiro.pdf ]

No passado Karl Marx não considerava a lógica relativista, mas teleológica. Isso quer dizer que ele defendia que toda a nossa história só poderia marchar mais ou menos de pressa para apenas um destino final. Essa teleologia reduziria toda a história da humanidade para os marxistas: “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes.”(Karl Marx)

A crença de que a história é algo universal levou uma considerável parte dos marxistas a tentar antecipar o futuro da humanidade: “A verdadeira história da humanidade irá começar”(Karl Marx)

Para os adeptos da teoria de Karl Marx a classe operária seria protagonista dessa antecipação por meio de uma revolução do proletariado que seria positiva para humanidade.

Assim, além de reducionista a sua teoria era otimista em demasia. Só haveria um futuro para humanidade: a libertação de si mesma – o comunismo.

Não é preciso enumerar os erros que derivaram da falsa premissa de Marx de que há apenas um futuro adiável e certo. A própria propaganda anti-comunista distribuída pelos principais órgãos de comunicação do mundo já se encarrega de descrever os prejuízos diante das interpretações imponderadas da filosofia de Karl Marx.

Karl Marx escreveu com quantidade. Se errou muito, também acertou muito.

São inúmeras as relevantes concepções marxistas que fazem parte do nosso cotidiano. Por exemplo podemos apontar:

a)Ativismo: Os filósofos [e muitos pensadores] não aplicavam sua teorias filosóficas na prática. O ativismo só existe hoje em grande medida, porque Karl Marx propôs que os filósofos deveriam partir para a aplicação de suas teorias. Ele mesmo fez isso: “As idéias nada podem realizar. Para realizar as idéias são necessários homens que ponham a funcionar uma força prática.” (Karl Marx)

b)Ambientalismo: Problemas ecológicos graves hoje tem origem na exploração dos recursos naturais de maneira irresponsável visando apenas o lucro e nada mais. Karl Marx foi um pioneiro ao apontar que a origem dos problemas estava na relação da sociedade do capital (e indústria) e sua relação com a natureza. Ele entendia a relação natureza-homem pelo seguinte viés: “O ser humano vive da natureza significa que a natureza é seu corpo, com o qual ele precisa estar em processo contínuo para não morrer. Que a vida física e espiritual do ser humano está associada à natureza não tem outro sentido do que afirmar que a natureza está associada a si mesma, pois o ser humano é parte da natureza.”(Karl Marx)

c)Direito de igualdade: A pobreza vem aumentando no mundo e a desigualdade também. Esse combate contra as desigualdades é um dos legados positivos da filosofia de Karl Marx. A igualdade marxista é concebida nos seguintes termos: “De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades.” (Karl Marx)

d)Alienação e Consumismo: Karl Marx afirmava que quanto mais temos menos somos. Ele afirmava que a população é chamada a consumir, mas que é reprimida quando quer tomar rumos políticos que não interessam aos patrões. O proprietário dos meios de produção seria inteiramente ocupado em manter seu status e sua família seria movida apenas por interesses: “A burguesia rasgou o véu de emoção e de sentimentalidade das relações familiares e reduziu-as a mera relação monetária” (Karl Marx)

Por um lado, no campo da política partidária, o marxismo nos permite observar um verdadeiro catálogo de erros. Por outro a palestra do pensador marxista Alysson Mascaro  – que está disponível acima – é um exemplo de como o legado de Karl Marx chega ao século XXI com vitalidade no campo do Direito.

Recordar é viver: “As aberrações do nosso sistema eleitoral e a reforma política”

Dando a cara a tapa

Em tempos de mal ajambrada reforma do nosso sistema político, vale a pena recordar um dos primeiros posts da área jurídica sobre o assunto neste espaço.

Afinal, entra ano, sai ano, a ladainha é sempre a mesma.

E a coisa continua tão feia quanto antes…

As aberrações do nosso sistema eleitoral e a reforma política

Publicado originalmente em 25.2.11

Uma coisa que quase ninguém entende é o sistema proporcional para eleição de deputados federais, estaduais e vereadores. Não é pra menos. É um dos sistemas mais non sense do planeta. Vou tentar explicar mais ou menos como funciona.

Imaginemos cinco partidos: por exemplo, PT, PMDB, PSDB, PFL e PSOL.

PT e PMDB se unem de um lado, PSDB e PFL do outro. O PSOL, purista que é, fica sozinho.

Cada um lança seus candidatos para 10 vagas em uma Câmara ou Assembléia qualquer.

Somados os votos, dos 12 milhões de…

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A dieta da juventude

Equilibre-se

Conteúdo original ISTOÉpuzzle-63627_640Uma pesquisa patrocinada pelo Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos demonstrou que um regime batizado de MIND diet tem o poder de rejuvenescer o cérebro em até oito anos. Conduzido por pesquisadores da Rush University Medical Center, também nos EUA, o trabalho provou que a dieta retarda o declínio cognitivo que acontece com o passar dos anos e tem alto índice de adesão. O artigo sobre o modelo de alimentação foi publicado na última edição da revista da Associação Americana de Alzheimer.

A MIND diet é uma combinação de alimentos presentes na dieta mediterrânea, considerada uma das mais saudáveis, e na Diet Approaches to Stop Hypertension, cuja sigla é DASH e que tem como objetivo a adoção de parâmetros alimentares que previnam e tratem a hipertensão. Da associação entre as duas surgiu o acrônimo MIND (Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay, algo como intervenção Mediterrânea-DASH para atrasar…

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“The Governing boards”: a memorandum on the conduct of universities by business men

Thorstein Veblen é incrivelmente atual: tão atual que foi republicado no contexto do século XXI (junho de 2015) de forma que o autor parece viver entre nós analisando a questão da Educação Superior e o controle corporativo sobre a universidade.

Philosophers for Change

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by Thorstein Veblen

In the working theory of the modern civilized community, — that is to say in the current common-sense apprehension of what is right and good, as it works out in the long run, — the university is a corporation of learning, disinterested and dispassionate. To its keeping is entrusted the community’s joint interest in esoteric knowledge. It is given over to the single-minded pursuit of science and scholarship, without afterthought and without a view to interests subsidiary or extraneous to the higher learning. It is, indeed, the one great institution of modern times that works to no ulterior end and is controlled by no consideration of expediency beyond its own work. Typically, normally, in point of popular theory, the university is moved by no consideration other than “the increase and diffusion of knowledge among men.” This is so because this profitless quest of knowledge has come to…

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