Erros (e acertos) de Marx

O futuro é imprevisível e possui múltiplos sentidos.

Essa perspectiva parece óbvia para nós hoje,  mas Marx e Engels lançaram o Manifesto Comunista acreditando que toda a história da humanidade tinha sentido único.

E ainda –  Marx e Engels achavam que tinham descoberto esse único sentido que acreditavam ser passível de previsão.

Se para nós o futuro é imprevisível e possui múltiplos sentidos é porque já entendemos o mundo a partir do paradigma dos relativismos.

A teoria da relatividade de Albert Einstein demonstrou com clareza como o tempo [e por conseguinte a história] não é universal, mas sim  relativo ao ponto de vista do observador. Isso significou não só a mudança de perspectiva de como o homem observa  os fenômenos físicos, mas também influenciou o entendimento dos fenômenos da experiência humana estudados nos rol dos relativismos que impactaram a percepção do campo social:  relativismo linguístico, relativismo cognitivo,  relativismo psicológico e  relativismo cultural.

[Sobre o “Relatividade e relativismo: Einstein e a teoria social” indicamos o artigo disponível no link https://mwba.files.wordpress.com/2010/03/2009-almeida-relatividade-e-relativismo-einstein-e-a-teoria-social-tempo-brasileiro.pdf ]

No passado Karl Marx não considerava a lógica relativista, mas teleológica. Isso quer dizer que ele defendia que toda a nossa história só poderia marchar mais ou menos de pressa para apenas um destino final. Essa teleologia reduziria toda a história da humanidade para os marxistas: “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes.”(Karl Marx)

A crença de que a história é algo universal levou uma considerável parte dos marxistas a tentar antecipar o futuro da humanidade: “A verdadeira história da humanidade irá começar”(Karl Marx)

Para os adeptos da teoria de Karl Marx a classe operária seria protagonista dessa antecipação por meio de uma revolução do proletariado que seria positiva para humanidade.

Assim, além de reducionista a sua teoria era otimista em demasia. Só haveria um futuro para humanidade: a libertação de si mesma – o comunismo.

Não é preciso enumerar os erros que derivaram da falsa premissa de Marx de que há apenas um futuro adiável e certo. A própria propaganda anti-comunista distribuída pelos principais órgãos de comunicação do mundo já se encarrega de descrever os prejuízos diante das interpretações imponderadas da filosofia de Karl Marx.

Karl Marx escreveu com quantidade. Se errou muito, também acertou muito.

São inúmeras as relevantes concepções marxistas que fazem parte do nosso cotidiano. Por exemplo podemos apontar:

a)Ativismo: Os filósofos [e muitos pensadores] não aplicavam sua teorias filosóficas na prática. O ativismo só existe hoje em grande medida, porque Karl Marx propôs que os filósofos deveriam partir para a aplicação de suas teorias. Ele mesmo fez isso: “As idéias nada podem realizar. Para realizar as idéias são necessários homens que ponham a funcionar uma força prática.” (Karl Marx)

b)Ambientalismo: Problemas ecológicos graves hoje tem origem na exploração dos recursos naturais de maneira irresponsável visando apenas o lucro e nada mais. Karl Marx foi um pioneiro ao apontar que a origem dos problemas estava na relação da sociedade do capital (e indústria) e sua relação com a natureza. Ele entendia a relação natureza-homem pelo seguinte viés: “O ser humano vive da natureza significa que a natureza é seu corpo, com o qual ele precisa estar em processo contínuo para não morrer. Que a vida física e espiritual do ser humano está associada à natureza não tem outro sentido do que afirmar que a natureza está associada a si mesma, pois o ser humano é parte da natureza.”(Karl Marx)

c)Direito de igualdade: A pobreza vem aumentando no mundo e a desigualdade também. Esse combate contra as desigualdades é um dos legados positivos da filosofia de Karl Marx. A igualdade marxista é concebida nos seguintes termos: “De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades.” (Karl Marx)

d)Alienação e Consumismo: Karl Marx afirmava que quanto mais temos menos somos. Ele afirmava que a população é chamada a consumir, mas que é reprimida quando quer tomar rumos políticos que não interessam aos patrões. O proprietário dos meios de produção seria inteiramente ocupado em manter seu status e sua família seria movida apenas por interesses: “A burguesia rasgou o véu de emoção e de sentimentalidade das relações familiares e reduziu-as a mera relação monetária” (Karl Marx)

Por um lado, no campo da política partidária, o marxismo nos permite observar um verdadeiro catálogo de erros. Por outro a palestra do pensador marxista Alysson Mascaro  – que está disponível acima – é um exemplo de como o legado de Karl Marx chega ao século XXI com vitalidade no campo do Direito.

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2 comentários sobre “Erros (e acertos) de Marx

  1. Companheiro, sobre Einstein, recomendo um texto que ajuda a desmistificar a equivocada interpretação do físico como “relativista”.: https://bloglavrapalavra.wordpress.com/2015/08/28/einstein-contra-o-relativismo/

    Em decorrência, Einstein é um defensor do ponto de vista da totalidade, como Marx. No entanto, dizer que a história humana é a história da luta de classes NÃO SIGNIFICA que seu futuro é de vitória. Socialismo ou barbárie, diria Rosa Luxemburgo, e o marxismo que crê inevitável o socialismo tem todo o século passado de barbárie para observar. O ponto é: a superação do capitalismo só se dará pelo socialismo – ou seja, pela solução da contradição entre a socialização da produção e a centralização da riqueza. Sem isso, assistiremos a permanência dessa contradição indefinidamente, com requintes de terror cada vez maiores, conforme se aprofundar as novas e constantes crises.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Agradeço mais uma vez o comentário valioso.

    É natural que Einstein não tenha sido relativista. Aliás Karl Marx afirmou: “Tudo que sei é que não sou marxista”. Isso não invalida os pensadores marxistas. As filosofias, ciências e modos de pensar tem se desenvolvido como processo de circulação e apropriação das ideias. A construção e a apropriação do relativismo foram relevantes para áreas do conhecimento como a psicologia e a antropologia.

    Obrigado pela contribuição!
    um abraço,

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